Saber quais foram as cidades que mais valorizaram nos últimos 5 anos exige mais do que comparar preços anunciados em portais imobiliários. É necessário definir o período, distinguir preços de venda de preços de anúncio e utilizar uma fonte com a mesma metodologia para todas as localidades.
Neste artigo, o período analisado é o que decorre entre o 4.º trimestre de 2020 e o 4.º trimestre de 2025. Os valores principais são os preços medianos de venda por metro quadrado de alojamentos familiares, publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) na série de estatísticas de preços da habitação ao nível local. O último período disponível na série consultada é o 4.º trimestre de 2025.
A conclusão deve ser lida com cuidado. No conjunto dos municípios com dados comparáveis, os maiores crescimentos percentuais não correspondem necessariamente aos mercados mais caros ou mais líquidos. Além disso, o INE mede municípios e não “cidades” no sentido estritamente urbano. Por isso, quando se fala em cidades neste texto, a classificação é usada de forma corrente, mas o ranking é municipal.
A valorização imobiliária pode ser medida de várias formas. Cada indicador responde a uma pergunta diferente e não deve ser confundido com os restantes. Uma análise correta começa por separar preço, variação e rentabilidade.
Valorização imobiliária é o aumento do valor de mercado de um imóvel ou de um conjunto de imóveis ao longo de um período. Quando se compara o preço mediano por metro quadrado no início e no fim do período, calcula-se uma valorização nominal acumulada.
A fórmula utilizada é:
Valorização acumulada = ((preço final − preço inicial) / preço inicial) × 100
Se um município passa de 1 000 euros para 1 500 euros por metro quadrado, a valorização acumulada é de 50%. Isto não significa que o preço tenha subido 50% todos os anos, nem que todos os imóveis tenham tido exatamente essa evolução.
Também é importante distinguir valorização nominal de valorização real. A primeira não desconta a inflação. Para calcular a evolução real, seria necessário deflacionar os preços utilizando um índice de preços adequado. Os percentuais apresentados neste artigo são nominais e acumulados.
O preço médio é obtido dividindo o valor total pelo número de observações, enquanto o preço mediano corresponde ao valor que separa metade das transações abaixo e metade acima. O INE utiliza, nesta série, o preço mediano das vendas por metro quadrado. A mediana é menos influenciada por transações excecionalmente caras ou baratas.
O preço por m² permite comparar imóveis de dimensões diferentes, mas não elimina todas as diferenças. A localização, o estado de conservação, a tipologia, a idade do edifício e a qualidade do imóvel continuam a influenciar o resultado.
O preço de venda resulta de transações efetivamente realizadas. O preço de anúncio é o valor pedido pelo vendedor e pode ser alterado durante o processo de comercialização. Não é metodologicamente correto misturar os dois indicadores no mesmo cálculo.
A valorização percentual compara dois pontos no tempo. O crescimento anual compara um período com o período homólogo anterior. A valorização acumulada mede o resultado total entre a data inicial e a data final. Já o CAGR, ou taxa de crescimento anual composta, traduz a valorização acumulada numa taxa anual equivalente. São medidas diferentes.
Uma análise baseada apenas no preço médio ou mediano também pode ser insuficiente. Se num ano forem vendidas mais habitações novas, maiores ou localizadas em zonas premium, o preço observado pode subir mesmo sem uma alteração equivalente em imóveis semelhantes. Por essa razão, os números devem ser interpretados como indicadores do mercado transacionado, não como uma avaliação automática de cada casa.
A comparação mais consistente utiliza a mesma fonte, a mesma unidade, a mesma área geográfica e períodos equivalentes. Neste artigo, foram usados os valores do 4.º trimestre de 2020 e do 4.º trimestre de 2025, ambos referentes aos últimos 12 meses terminados nesses trimestres.
A escolha de trimestres homólogos reduz o risco de comparar uma época de maior atividade com outra de menor atividade. Ainda assim, a série não é um índice de preços de imóveis idênticos. É uma estatística baseada nas transações realizadas em cada período.
O INE disponibiliza uma série com preços por município e inclui observações desde 2019. Para o período de cinco anos mais recente completo, foram usados os dados de 2020 e 2025. Os cálculos percentuais apresentados foram feitos a partir dos valores publicados, sem arredondar os valores de entrada antes do cálculo.
O valor nacional esconde diferenças territoriais significativas. Em 2025, o preço mediano nacional foi de 2 076 euros por metro quadrado. No mesmo ano, o INE registou valores regionais superiores na Grande Lisboa, no Algarve, na Península de Setúbal, na Região Autónoma da Madeira e na Área Metropolitana do Porto.
Uma subida nacional não significa que todas as cidades tenham evoluído da mesma forma. Mercados com forte procura e oferta limitada podem ter uma trajetória diferente de municípios do interior ou de localidades com menos transações. A análise municipal é, por isso, mais útil para quem pretende comprar numa zona concreta.
A resposta depende do universo escolhido. Se forem incluídos todos os municípios com dados comparáveis, o topo percentual é dominado por mercados de menor dimensão. Se forem observadas as principais cidades e municípios urbanos, o quadro é diferente. Para evitar misturar as duas leituras, apresentamos primeiro o ranking municipal da série do INE e depois uma comparação de mercados urbanos conhecidos.
Entre os 282 municípios com valores comparáveis entre o 4.º trimestre de 2020 e o 4.º trimestre de 2025, os maiores crescimentos percentuais foram os seguintes:
Município
Preço mediano 4.º T 2020
Preço mediano 4.º T 2025
Valorização acumulada
Entroncamento
606 €/m²
1 536 €/m²
153,5%
Moita
925 €/m²
2 226 €/m²
140,6%
Portel
328 €/m²
785 €/m²
139,3%
Monchique
686 €/m²
1 636 €/m²
138,5%
Nordeste
475 €/m²
1 098 €/m²
131,2%
Barreiro
1 105 €/m²
2 508 €/m²
127,0%
Santana
599 €/m²
1 333 €/m²
122,5%
Porto Santo
1 102 €/m²
2 409 €/m²
118,6%
Gavião
245 €/m²
529 €/m²
115,9%
Benavente
899 €/m²
1 941 €/m²
115,9%
Fonte: cálculo próprio com base no preço mediano de venda por m² do INE; 4.º trimestre de 2020 versus 4.º trimestre de 2025.
Este ranking não deve ser interpretado como uma lista das dez cidades mais atrativas para comprar. Há várias limitações. Em municípios pequenos, o número de transações pode ser reduzido e a composição dos imóveis vendidos pode variar bastante entre períodos. Uma alteração no tipo de habitações transacionadas pode influenciar a mediana.
O resultado também mostra por que razão um ranking percentual pode ser enganador. Entroncamento registou o maior aumento relativo entre os municípios comparáveis, mas o seu preço final por metro quadrado continua muito abaixo do preço observado em Lisboa. Crescer mais em percentagem não equivale a atingir o preço mais elevado, nem significa obter a maior rentabilidade total.
O maior aumento absoluto em euros por metro quadrado não é necessariamente obtido pelos municípios com maior percentagem. Entre os grandes mercados urbanos analisados, a evolução foi a seguinte:
Município
Preço mediano 4.º T 2020
Preço mediano 4.º T 2025
Aumento absoluto
Valorização acumulada
Lisboa
3 415 €/m²
4 875 €/m²
1 460 €/m²
42,8%
Funchal
1 685 €/m²
3 100 €/m²
1 415 €/m²
84,0%
Porto
2 112 €/m²
3 347 €/m²
1 235 €/m²
58,5%
Oeiras
2 363 €/m²
4 187 €/m²
1 824 €/m²
77,2%
Matosinhos
1 637 €/m²
3 004 €/m²
1 367 €/m²
83,5%
Setúbal
1 283 €/m²
2 468 €/m²
1 185 €/m²
92,4%
Os valores mostram duas conclusões distintas. Lisboa continua a apresentar um dos preços municipais mais elevados, mas a sua valorização percentual foi inferior à de vários mercados que começaram com uma base mais baixa. Oeiras teve o maior aumento absoluto neste grupo, embora a percentagem de crescimento tenha sido inferior à de Setúbal.
Não se deve comparar automaticamente os preços desta tabela com os preços anunciados nos portais imobiliários. O INE mede vendas realizadas. O idealista publica um indicador de preços de oferta, construído a partir de anúncios, com metodologia própria.
Os grandes centros urbanos tendem a ter mais transações e maior diversidade de imóveis, o que pode tornar a mediana mais estável. Também apresentam preços de entrada mais elevados. Uma valorização de 40% sobre 3 000 euros por metro quadrado representa um aumento absoluto diferente de uma valorização de 100% sobre 700 euros.
Os municípios de menor dimensão podem apresentar percentagens muito elevadas porque partem de uma base reduzida. O resultado deve ser confirmado com o número de transações, a dispersão dos preços e a continuidade da procura. Uma taxa de crescimento elevada num único mercado não prova, por si só, uma tendência estrutural.
Entre cidades e municípios de dimensão intermédia, destacam-se no período analisado Braga, Aveiro, Matosinhos, Setúbal e Funchal. Braga aumentou 89,6%, Aveiro 82,5%, Matosinhos 83,5%, Setúbal 92,4% e Funchal 84,0%, segundo os mesmos critérios do INE. Estes valores não devem ser lidos como uma previsão para os próximos cinco anos.
O ranking mais rigoroso possível com esta fonte é um ranking de municípios com dados comparáveis, não um ranking universal de cidades. A tabela dos dez primeiros lugares inclui todos os municípios elegíveis na série consultada, mas não pretende medir “qualidade de vida”, liquidez, rendimento de arrendamento ou potencial futuro.
Também não é correto afirmar que o município em primeiro lugar foi “o melhor para investir”. A valorização passada mede apenas a evolução do preço observado. Uma decisão de investimento deve incluir o preço de compra atual, a renda líquida, os custos de aquisição, a fiscalidade, a manutenção, o financiamento e a facilidade de venda.
Os preços resultam da interação entre procura, oferta, financiamento e características locais. Uma estatística de preços identifica o que aconteceu, mas não prova automaticamente a causa. As explicações seguintes devem ser entendidas como fatores a investigar, e não como relações causais demonstradas para cada município.
Quando o número de compradores aumenta mais depressa do que a oferta disponível, pode surgir pressão ascendente sobre os preços. Essa procura pode resultar de novos residentes, migração interna, estudantes, trabalhadores pendulares, compradores estrangeiros ou procura por segunda habitação.
O efeito varia de município para município. Uma análise séria deve cruzar os preços com população residente, formação de agregados familiares, alojamentos disponíveis e número de transações. Não é possível concluir que a população foi a causa da valorização de uma cidade apenas porque os dois indicadores subiram no mesmo período.
A criação de emprego e a instalação de empresas podem aumentar a procura por habitação nas áreas com melhor acesso aos locais de trabalho. Universidades, hospitais, parques empresariais e serviços públicos também podem sustentar procura local.
Contudo, a existência de investimento económico não determina uma valorização uniforme. É necessário verificar se os novos empregos são permanentes, onde se localizam e se existe oferta habitacional adequada. O preço pode subir numa zona e permanecer estável noutra, mesmo dentro do mesmo município.
O turismo pode influenciar a procura por alojamento, arrendamento de curta duração e segunda habitação, sobretudo em destinos com elevada atratividade internacional. O INE mostra diferenças entre os preços de transações de compradores com domicílio fiscal em Portugal e no estrangeiro, incluindo diferenças relevantes na Grande Lisboa e na Área Metropolitana do Porto no 4.º trimestre de 2025.
Esse dado demonstra a existência de diferenças entre perfis de compradores, mas não prova que o turismo, isoladamente, tenha causado a subida dos preços. Seria necessário analisar dormidas, compra de imóveis, licenciamento, oferta de arrendamento e outras variáveis para estabelecer uma relação causal.
Novas ligações rodoviárias, transportes públicos, equipamentos e projetos de regeneração urbana podem alterar a acessibilidade e a atratividade de uma zona. O impacto depende da execução, do calendário, da qualidade do projeto e da capacidade de criar procura efetiva.
O comprador deve verificar se o projeto está aprovado, financiado e calendarizado. Uma promessa de infraestrutura não deve ser incorporada no preço como se fosse um benefício já concretizado.
Lisboa e Porto continuam a ser referências do mercado imobiliário português, mas não representam todo o país. A comparação com Funchal, Braga, Setúbal, Aveiro, Faro e Coimbra mostra que os ritmos de valorização foram diferentes.
O município de Lisboa passou de 3 415 euros por metro quadrado no 4.º trimestre de 2020 para 4 875 euros no 4.º trimestre de 2025. A valorização acumulada calculada a partir destes valores foi de 42,8%.
Lisboa apresentava já uma base de preços elevada no início do período. Por isso, uma subida percentual inferior à de outras cidades pode corresponder a um aumento absoluto significativo. O INE registou, para o 4.º trimestre de 2025, 5 198 euros por metro quadrado como preço mediano no município de Lisboa na referência trimestral divulgada no destaque, enquanto o valor da tabela deste artigo corresponde à série dos últimos 12 meses terminados no trimestre.
Esta diferença ilustra a importância de não misturar períodos de referência. O valor anualizado e o valor trimestral não são intercambiáveis.
No município do Porto, o preço mediano passou de 2 112 euros por metro quadrado no 4.º trimestre de 2020 para 3 347 euros no 4.º trimestre de 2025. A valorização acumulada foi de 58,5%.
O Porto partiu de uma base inferior à de Lisboa, mas manteve uma evolução expressiva. A análise deve distinguir o município do Porto dos restantes municípios da Área Metropolitana do Porto, como Matosinhos, Vila Nova de Gaia e Maia. Uma afirmação sobre a região não pode ser apresentada como se descrevesse apenas o município.
“Algarve” é uma região, não uma cidade. Os resultados devem ser apresentados por município ou por sub-região, consoante a fonte. O INE registou para o Algarve um preço mediano de 3 139 euros por metro quadrado em 2025, acima do valor nacional de 2 076 euros por metro quadrado.
Entre os municípios analisados neste artigo, Faro passou de 1 754 euros por metro quadrado no 4.º trimestre de 2020 para 2 985 euros no 4.º trimestre de 2025, o que corresponde a uma valorização de 70,2%. Monchique aparece no ranking municipal com um crescimento percentual superior, mas a diferença de escala e de liquidez exige cautela na comparação.
O desempenho de Faro não deve ser generalizado a todo o Algarve. Municípios costeiros, zonas do interior e localidades com maior procura turística têm estruturas de mercado diferentes.
Braga, Aveiro, Setúbal e Funchal registaram crescimentos elevados na série municipal utilizada. Braga passou de 1 053 para 1 996 euros por metro quadrado, Aveiro de 1 284 para 2 343 euros, Setúbal de 1 283 para 2 468 euros e Funchal de 1 685 para 3 100 euros.
Estes números sugerem que a valorização não ficou limitada a Lisboa e Porto. Porém, uma cidade emergente não é necessariamente uma cidade barata, líquida ou adequada a todos os perfis de comprador. A leitura deve incluir a oferta nova, o arrendamento, o emprego e o número de transações.
Não existe uma resposta automática. Uma valorização histórica elevada é um indicador relevante, mas não é uma recomendação de investimento. O preço atual pode já refletir grande parte da procura e o rendimento futuro pode ser diferente do passado.
A valorização histórica descreve um intervalo já terminado. O potencial futuro depende de condições que podem mudar, como taxas de juro, crédito, emprego, população, oferta de casas, fiscalidade e regulamentação.
Não se deve extrapolar mecanicamente uma taxa de 90% observada num período para os cinco anos seguintes. Quanto maior tiver sido a subida, maior é a necessidade de verificar se o preço atual continua compatível com rendimentos locais e rendas praticadas.
A rentabilidade total combina vários componentes. Pode incluir a valorização do imóvel, o rendimento líquido de arrendamento e eventuais custos ou perdas. A valorização do preço não é igual à rentabilidade líquida do investidor.
A rentabilidade deve considerar imposto municipal sobre as transmissões, imposto do selo, escritura, financiamento, seguros, obras, condomínio, impostos sobre o rendimento, períodos sem inquilino e custos de venda. Sem esses dados, uma taxa de valorização não mede o retorno efetivo.
Uma cidade pode ter imóveis muito valorizados e rendas elevadas, mas ainda assim oferecer uma rentabilidade bruta reduzida se o preço de compra tiver subido mais depressa do que a renda. A rentabilidade bruta é normalmente calculada dividindo a renda anual pelo preço de aquisição, antes de custos e impostos.
Para comparar cidades, o investidor deve usar imóveis semelhantes, rendas observadas em contratos ou fontes metodologicamente claras e um período comum. Não deve misturar preço de venda do INE com uma renda de anúncio sem indicar a diferença.
Os principais riscos incluem comprar no topo de um ciclo, sobrestimar a renda, depender de um único segmento de procura, enfrentar menor liquidez ou encontrar custos de reabilitação superiores ao previsto. Mercados pequenos podem ter poucos compradores e maior dispersão de preços.
A valorização passada não elimina o risco de correção. Também não garante que o imóvel escolhido acompanhe a mediana do município.
Uma decisão informada deve combinar indicadores quantitativos com a análise concreta do imóvel. O processo pode ser aplicado tanto a uma grande cidade como a um município de menor dimensão.
Comece pelo preço mediano por metro quadrado e pela sua evolução. Depois analise o número de transações, a oferta disponível, o tempo de venda, os preços de arrendamento, a população, o emprego, os projetos aprovados e a acessibilidade.
A rentabilidade bruta pode servir como triagem, mas não substitui a rentabilidade líquida. A liquidez também importa: um imóvel que demora muito tempo a vender pode ter um risco diferente de um ativo semelhante num mercado com mais compradores.
Compare pelo menos cinco anos quando existir uma série consistente. Use períodos homólogos e a mesma definição de preço. Registe o preço inicial, o preço final e a valorização calculada.
Observe também se a tendência foi contínua ou concentrada num único ano. Uma valorização acumulada igual pode resultar de trajetórias muito diferentes. A análise anual ou trimestral ajuda a identificar desacelerações e alterações de ritmo.
Uma subida de preços acompanhada por poucas transações pode ter uma leitura diferente de uma subida com aumento de transações. Verifique se existe construção nova, quantos imóveis estão disponíveis e se o tempo de venda está a aumentar.
Em mercados pequenos, a ausência de dados robustos deve ser tratada como uma limitação. Não é correto preencher essa lacuna com uma estimativa ou transferir automaticamente o comportamento de uma cidade vizinha.
Analise projetos concretos, não apenas anúncios genéricos. Consulte planos municipais, obras públicas, transportes, equipamentos, emprego e licenças de construção. Confirme o estado de execução e o horizonte temporal.
Uma perspetiva positiva pode melhorar a procura, mas também pode trazer nova oferta e limitar o crescimento dos preços. O efeito final não é automático.
As melhores conclusões surgem do cruzamento de fontes que medem fenómenos diferentes. O objetivo não é escolher o número mais elevado, mas perceber o que cada fonte realmente observa.
O INE é a fonte principal para preços medianos de vendas por metro quadrado e número de transações por município. A série de estatísticas de preços da habitação ao nível local disponibiliza quadros e ficheiros de dados com períodos trimestrais e valores para diferentes unidades territoriais.
Os dados oficiais são particularmente úteis para comparar municípios com a mesma metodologia. Devem, contudo, ser interpretados como preços das transações registadas e não como uma avaliação de todos os imóveis existentes.
Plataformas como o idealista acompanham preços de oferta e disponibilizam relatórios por localidade. Esses dados são úteis para observar o preço pedido pelos vendedores, a tendência recente e diferenças entre zonas.
Não devem ser apresentados como equivalentes aos preços de venda do INE. A diferença entre preço pedido e preço efetivamente transacionado pode ser relevante e varia com o mercado.
Relatórios de consultoras imobiliárias podem acrescentar informação sobre investimento, arrendamento, procura por segmentos e dinâmica dos mercados. Antes de usar um número, verifique a metodologia, a amostra, o período, a área geográfica e se o indicador mede preços de transação, preços de oferta ou avaliações.
O primeiro passo é identificar a unidade territorial. Município, cidade, distrito, área metropolitana e região não são sinónimos. O segundo é confirmar a unidade de medida. Preço total, preço por metro quadrado, preço mediano e preço médio também não são equivalentes.
O terceiro passo é harmonizar o período. Um valor anual, um trimestre e um mês não devem ser colocados na mesma tabela sem explicação. Por fim, documente a fonte de cada número e não use uma fonte de anúncios para confirmar uma afirmação sobre preços de venda.
As perguntas seguintes resumem as principais conclusões e limitações da análise.
Na comparação municipal do INE entre o 4.º trimestre de 2020 e o 4.º trimestre de 2025, os maiores crescimentos percentuais foram registados por Entroncamento, Moita, Portel, Monchique e Nordeste. O ranking inclui municípios com escalas e níveis de liquidez muito diferentes, pelo que não deve ser interpretado como uma lista das melhores cidades para investir.
Entre os 282 municípios com dados comparáveis utilizados neste artigo, Entroncamento apresentou a maior valorização acumulada, de 153,5%. Esta resposta refere-se ao preço mediano por metro quadrado observado nas vendas e ao período específico definido. Não significa que todos os imóveis do município tenham subido nessa proporção.
Em termos percentuais, os maiores aumentos ocorreram sobretudo em municípios de menor dimensão. Entre mercados urbanos mais conhecidos, Setúbal, Braga, Funchal, Matosinhos e Aveiro registaram crescimentos elevados na série de 2020 a 2025. Lisboa e Porto também valorizaram, mas partiram de bases de preço mais elevadas.
Não é possível identificar uma cidade com maior potencial futuro apenas com base na valorização passada. A análise deve considerar preço atual, procura, oferta, população, emprego, arrendamento, acessibilidade, liquidez e projetos concretos. Qualquer conclusão futura deve ser apresentada como cenário ou hipótese, nunca como garantia.
